Estenda-me tuas mãos
E permita-me trazer-te pra fora do mundo.
Compartilha comigo as insanidades que espalho em canção
Mergulhemos em sonhos, como em um poço sem fundo...
Faz parte do que já não existe mais,
Mas ainda cintila no cosmo como uma estrela.
Perpetua no abstrato que nos torna iguais
De ti, levo em meus olhos uma centelha,
Não possuo somente lembranças banais
Que se dissolveriam no fogo como cera.
O abismo da existência não nos separa
Somos florescência da mesma magia.
És o aroma da erva mais rara;
Torna-te agora o som que me guia.
És a loucura que me mantém sã,
A ironia do mundo que me permite sorrir.
És o tom róseo do iniciar da manhã
E a noite púrpura que vem a seguir.
És a mão que seca minha lágrima vã
O que me dá forças pra viver sem sentir.
Desvela os mistérios da minha alma,
Como ninguém antes pôde fazer.
Equilibra minha harmônica calma
Que não permito deixar compreender.
Dancemos em círculo ao som do universo...
Transporto-me para o teu lado ao me silenciar
Transcrevo-te sublime em um simples verso
Palavras impossíveis de interpretar.
Tornemo-nos um código indecifrável;
Eternizados em fogo e luar
Em uma noite clara interminável.
E o fim não pôde nos alcançar...
A vida e sua busca incansável
São acordes a se dissipar...
E o fim se aproxima do começo,
Girando, nauseante, sem parar.
Abro os olhos e nada reconheço,
Mas ainda te sinto aqui, a me sustentar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário